Terça-feira, Agosto 25, 2009

RETOMANDO


oLA, depois de longo tempo sem postar nada, talvez porue tivesse um pouco ocupado ou desocupado com outras tarefas, mas é bom que a qualidade das coisas podem ser melhor observadas e discutidas.

Uma das reflexões em que me meti foram a Crítica Teatral, a partir do curso 2008\2009 na ELT com o Kil Abreu.

Um destes resultados quero compartilhar. É um ensaio sobre a peça e a encenação do "O Quarto", de Harold Pinter, com encenação Club Noir.


Ensaio : O universal na dramaturgia de Harold Pinter e o Particular na encenação d’O Quarto pela Cia Club Noir.

Uma situação particular para falar do universal, essa parece uma das propostas explícitas da dramaturgia de Harold Pinter, infusas principalmente no texto que é alvo da presente reflexão. As conjecturas entre texto e cena são feitas aqui por uma experiência de tempos diferentes que são a leitura do texto, apreensão maleável e reversível, e a experiência de espectador da representação, leitura de sucessão irreversível. Do caráter da interpretação do texto é que se pretende discutir, mas antes que se desenhe juízos de valor arbitrários e subjetivos sobre o texto e a encenação, tentarei dar valor mais ao confronto de qualidades positivas ou negativas (mas, sempre como qualidades) que se mostraram tangíveis no palco e texto.

O primeiro atrito criativo, latente, entre texto/cena é o tratamento das rubricas ou didascálias. Elas são o canal direto e performativo do dramaturgo para a encenação, ou ao leitor. A qualidade das rubricas que aparecem no texto são, majoritariamente, de indicações sobre os gestos, os movimentos, entradas e saídas. Detalham a movimentação espacial e ações objetivas sobre os objetos e pessoas. Historicamente esta qualidade é usual no “teatro naturalista”, conhecido em final do séc XIX, que “visa oferecer uma representação exata dos meios sociais dos personagens” (Dominique Maingueneau). A crítica a esse recurso está na vinculação passiva e conivente com a ideologia burguesa, que procura instituir os comportamentos e ações de indivíduos da classe dominante como representação fatalista, não-historicamente construída, e portanto, contraditoriamente reversível.

A literalidade do texto parece indicar um falso naturalismo, em contraposição à confusão estabelecida das lógicas argumentativas e de locuções (modo próprio de se expressar) dos personagens. Estas lógicas deveriam ser claras e mais ou menos facilmente perseguíveis pelo “contemplador do teatro naturalista”. A encenação desconfiou das indicações objetivas e embarcou pela opção de um jogo de cena enigmático e sensorial. A movimentação das personagens são deslocamentos nitidamente traçados no espaço, a relação acontece através de linhas e geometrias imaginárias. Essa atitude questiona a validade das rubricas e age determinante na chave da interpretação. Os intérpretes, principalmente a atriz Juliana Galdino, através da protagonista Rose, interiorizam as ações para tentar livrar o público da aceitação natural de seus gestos e ações. Exteriorizam uma não-representação. Espectros amortizados, estáticos, mínimos gestos. Articulam um exasperado jogo de enunciações que apelam ao nosso auditivo, tentam conduzir o público ao universo misterioso, onde deve-se buscar a recriação do que possa estar acontecendo naquela realidade específica proposta. Isso mostra o caráter de sugestão da representação, sua responsabilidade e característica de lançar uma mediação onde “tudo-não-está-dado” e sua jogar para o espectador a qualidade precípua de participatividade com a obra.

Interpretação do texto para a direção da peça e os atores, nesse tratamento, é deixar espaço para a apreensão do sentido parcial, incompleto e aberto. Tentativa de devolver aos expectadores um poder atrofiado da imaginação, da cumplicidade distanciada e desinteressada. Imagens que temos que recuperar, criar e preencher. Quão difícil parece ser essa nossa parte da responsabilidade no fenômeno artístico, se nos propusermos a cada solicitação da nossa imaginação tentar desviar das imagens completas e totalizantes que os monstros midiáticos bombardeiam e tornar com algo simples e infenso como resposta a nossa condição marchetada na sociedade.

Outro atrito criativo se estabelece na qualidade de tratamento do elemento da escuridão. O escuro é o que nos engole e é o que nos devolve às potências do imaginário. Depois do próprio quarto que dá nome ao universo da peça, o escuro parece ser o elemento central, o quarto contém seu buraco negro, é um sistema, complexo e irracional agindo. Imerso nele só podemos ser devotos da incerteza, tatear caminhos e objetos. Rose, a protagonista, em vez de irradiar pensamentos e ações, parece tragar, num imenso repuxo uma trama confusa de narrações, memórias e diálogos entrecortados. A entropia das preocupações cotidianas.

Quando a visão se compromete na vaga escuridão, o sentido privilegiado é o auditivo, vemos/enxergamos com os ouvidos. A inconsciência e o esquecimento das coisas não fazem desaparecer os objetos e circunstâncias que não compreendemos e mal absorvemos. Elas existem, habitam e atuam em algum lugar de nós, no escuro, depositadas, relegadas e quase inalcançáveis voluntariamente, prontas a emergirem do mais fundo, do mais distante, onde a luz só pode roçar, já fraca e débil.

Rose, como elemento central desse universo, se move e fala no espaço de modo atordoado, entre as preocupações com o marido, Bert, na iminência de sair em plena geada, a pilotar sua caminhonete e a tensão crescente que se constrói sobre as especulações de quem habita o porão do prédio. A sugestão virtual da materialidade do prédio revela que este é composto por andares inumeráveis, habitações de inquilinos, zelado pelo senhorio/proprietário, Sr. Kidd, uma espécie de agenciador e mantenedor da inconsciência do lugar. A relação de moradia entre morar no subsolo (“lá em baixo”) e os andares acima (“lá em cima”) remete a uma situação de aparente superioridade em comodidade, conforto e bem-estar. Nesse prédio, a altura, que distancia as pessoas, pode ser duplamente entendida. No sentido das diferenças de classe social e também em sentido das relações psicológicas indesejadas, evitadas, incontroladas e de curiosidade que habitam, trafegam e querem se comunicar: - “Quem é que vive lá embaixo?”, é a indagação que de início aparece e vai aquecer o ambiente com as especulações e vaga lembrança de Rose ter habitado o porão do prédio; lugar de úmida e sombria memória, capaz de incomodar a imaginação: pensar que alguém agora pode suportar habitar tal posição; é isuportável. O diagrama do prédio tem a parte inferior e superior um tanto desconhecidas e inacessíveis, configura-se como um mistério que reflete a derrelição da personagem e os limites da consciência humana.

“Este é um bom quarto. Num sítio assim temos hipóteses”, afirma Rose a sensação e a imanência do espaço, na sua segurança de pensar o quarto como invólucro protetor das incertezas exteriores: o frio e a umidade, por exemplo. Um quarto, uma mulher, o mundo alheio afora, seres que propõem a desestabilidade, desafiam a lógica e a disposição de se pensarem a si mesmo e suas relações . A superproteção do mundo interno; as necessidades de reafirmações sobre estarem num lugar sossegado, quente e tranqüilo; o zelo maternal e a confiança da condução sobre seu marido; as negações do chamado misterioso do pai; a violência, a agressividade e descontrole sobre tratar o mensageiro. Que poder é esse de nos tornarmos fantasmas da nossa própria existência, observar à espreita as relações das pessoas e coisas quando sua própria vida desmorona e te cobra.

Estamos na imanência do espaço associativo onde as intenções são da mais potente ambigüidade colateral, referem-se ao estrito das relações ficcionais e ao extenso universo das realidades subjetivas e universais do leitor e expectador.

A confiança de Rose no marido, como capacitado condutor de sua caminhonete, em meio a uma geada, parece indicar um caminho subjetivo da entrega do seu destino às conduções de seu companheiro. Ou um indício lato para a reflexão sobre a qualidade e quantidade da delegação que operamos para sermos conduzidos pelo outro em nossos destinos. E na reverberação dessa imagem: condutor/conduzido, somos seres guiados e guias, simultaneamente, de destinos alheios, numa estrada escorregadia e perigosa, à mercê de colisões e desastres.

O homem que habita o porão quer emergir e atormenta o senhorio que agencia o encontro conflituoso com Rose. Sua prefiguração como sendo negro e cego traz agravantes de preconceito histórico, internalizado na personagem, de raça e deficiência. As ofensivas são um ódio precedente, irracional e defensivo para evitar o confronto da mensagem que Riley é portador. Sua função de mensageiro e cego é mitologicamente comparado a Hermes e Tirésias, personagens mediadores de uma comunicação sem precedentes, detonadora, trágica sobre o destino do herói; ponto sem retorno; são também oniscientes da situação que os envolve e os reclama. Ao recado do Pai de Rose para que volte para a casa, sua resposta é forte e ao mesmo tempo vacilante: - “é tarde”, nesse ponto concentra o derradeiro ato trágico e remete ao chamado de Hamlet pelo fantasma de seu belicoso pai. Convite ao desvario, convocação desestabilizadora do espírito, contato com algo maior que sua existência, o sobrenatural, a entrada ao mundo do caos, a irrupção do impossível, a angústia da liberdade, a invasão da matilha de lobos.

A estrutura dramática do texto é de transcurso linear, começo meio e fim, composto de um plano em que a lógica das movimentações corresponde a uma mimética naturalista, mas uma estranheza ou ruído gerado pela lógica interna dos diálogos e intenções das personagens abalam o mundo aparentemente estático e controlado que a tessitura do texto propõe. É de extrema sutileza as inter-relações pessoais que elidem uma condição simbólica e significativa para além do câmbio individual que é acintosamente obscura incompleta para gerar identificação emocional e psicológica. O texto move-se por sugestões e brechas para promover uma reflexão de condições mais gerais da nossa humanidade (exemplo sobre o texto do casal). Há uma tendência dispersiva sobre a condução da elucidação da linha de força dramática, que é saber quem é a figura do porão e porque tem o desígnio de trazer o recado peremptório do drama. O universo ficcional está se refletindo sobre si e não apenas se concentrando e preparando o cheque do destino individual. A propensão da instiga de saber das origens das leis de forças que mantém aqueles seres inconscientes e vacilantes sobre seu passado e futuro, provoca nossa necessidade de interpretar as mesmas leis de forças que por analogia atravessa nossa realidade individual e social. Tarefa inconteste de exercer cada dia mais consciente as rédeas de nosso destino.

14/07/09

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

CHÁ DE COZINHA




Lívia e Rogério

convidam para o

chá de cozinha

dia 15 de agosto de 2009

às 19 horas

na rua amaral gurgel, 158 ap 41

t. 8505.4409

12. 9182.1620


(confira o mapa: http://maps.google.com.br/maps?utm_campaign=pt_BR&utm_source=pt_BR-ha-latam-br-bk-gm&utm_medium=ha&utm_term=google%20maps)


Confira a lista abaixo

(Obs.: se quiser assinalar o item escolhido deixe um comentário abaixo e confira para saber se alguém já escolheu)

***

ABRIDOR DE LATA

AVENTAL

DESCASCADOR DE LEGUMES

ESPREMEDOR DE BATATAS

ESPREMEDOR DE LARANJA

FORMAS DE PIZZA E BOLO (REDONDA E RETANGULAR)

FRUTEIRA

LEITEIRA

LIXEIRA

MARINEX

PANO DE PRATO

POTES PARA CONDIMENTOS

POTES PARA SOBREMESA

PENEIRA

RALADOR

SACARROLHA

SALADEIRA

TÁBUA DE CARNE E DE LEGUMES

TALHER

TAPEWARE

TOALHA DE MESA

TOSTADEIRA

VASSOURA

Domingo, Junho 29, 2008

TEXTO INÉDITO: A DOAÇÃO


Este texto foi escrito em 2006 para o CPT.


POR ROGÉRIO GUARAPIRAN

A DOAÇÃO ₢

Personagens: Marcelo, Carlina Junta Médica..
Cena: sala de espera de um hospital.
Na sala estão Marcelo e Carlina impacientes.Entra a Junta Médica, uma espécie de pequeno coro, ouve-se um agudo gemido de dor renal que em intervalos se repete.

M – Então doutores, como vai minha mãe?
JM – Seus rins estão próximo da falência, é urgente o transplante para tentar salvá-la.
M – Mas como...? Com toda tecnologia que vocês têm, e a dinheirama que minha mãe tem gasto no tratamento, vocês não...
JM – Tudo que tinha de ser feito foi.
M – Esta aí Carlina, nossos melhores médicos e não conseguem consertar um rim, vamos procurar outros especialistas: medicina oriental, uma cirurgia espiritual, um pajé, aposto que curaria minha mãe, um pajé.
C – Acalme-se querido, é claro que eles fizeram tudo que estava ao alcance.
M – Por que não a levaram para Cuba, aposto que aqueles socialistas dariam jeito, vamos para Cuba querida!
JM – No estado em que está não chega nem na esquina.
M – Incompetentes!
JM - Quer nos acompanhar para sala de cirurgia?
M –(desconfiado) Para quê? (esconde-se atrás da mulher)
JM – Para que se realize o transplante.
M – Vocês querem o meu rim? Levem o dela. (empurra a mulher aos médicos)
JM – Você é o único doador.
M – E vocês, por acaso perguntaram se ela que quer mesmo o meu rim? Minha mãe não gosta de coisa usada... nunca comprou carro de segunda mão... dizia que as coisas que já foram de outras pessoas ficam carregadas de energias que nem sempre são boas e afetam nossa harmonia. E eu estou carregado da cabeça aos pés. (ouve-se um agudo gemido de dor renal) Ah, isso me dá um frio nos rins.
JM – O senhor bem logo se decida porque o tempo urge.
C –(tomando a frente do marido) Mas já está decidido (ele se espanta), ele só está um pouco perturbado com os fatos... ver a mãe a beira da morte, desnorteia qualquer um.

A JM apanha-o e o vai arrastando, ele debate-se.

M – Ei, ei... vamos com calma, esperem... tirem as mãos do meu rim! (eles param) Preciso falar com minha esposa a sós, despedir-me. (a JM espera o consentimento da esposa que acena positivo, eles se retiram)
C – O que deu em você? É a sua mãe...
M – É meu rim!
C – Como você é egoísta.
M – Eu?! De maneira alguma, eu só penso nos riscos.
C – Com você estão os melhores médicos, não há o que temer.
M – Não contesto a perícia deles, devem manejar bem a faca... é que quando se pensa na circunstância de se ficar oco... ah, não é nada agradável.
C – Uma pessoa vive bem com apenas um rim.
M – Você está querendo dizer que Deus esbanjou dando-nos dois rins à toa? Para que um fique de reserva, ocioso...? Por que, então, não nos deu logo dois corações, dois cérebros...?
C – Olha só, passou até a acreditar em Deus como criador...?
M – Com esta ciência incompetente temos que apelar pra Deus. Você viu como aqueles médicos olhavam para o meu rim, com olhar de fome. Bem vejo agora que as coisas não são por acaso. Existe uma ordem no universo, e é o homem quem procura bagunçar as coisas que foram deixadas em ordem. Veja eu, uma máquina perfeita, tudo em função, trabalhando em harmonia. O que acontece se tiram uma engrenagem de um relógio? Por menor que seja, ele para!
C – Você não está pensando bem, misturando coisas que não tem relação.
M – Tudo bem, eu vou continuar a viver sem um rim, com um vazio dentro de mim, mas está tudo bem. Depois vou sair na rua, as pessoas vão apontar: lá vai o homem sem um rim, não duvide que vão rir de mim.
C – Deixe de drama, como que alguém vai notar uma coisa desta?
M – Nesse mundo reparam em tudo. Mas deixe estar... vou pedir para eles preencherem com jornal velho, ninguém vai notar... imagina.
C – Cada coisa horrível que você pensa... bote na cabeça que está salvando uma vida, e que não é uma pessoa qualquer, é uma pessoa que te ama muito.
M – Ah, mas quem garante que isso vai salvar a vida dela?
C – É a única chance.
M – É uma roleta russa e quem pode se dar mal nisso tudo sou eu que vou ficar sem rim. Se não der certo será que eles devolvem?
C – Vai tudo dar certo.
M – E você já ouvir falar de tráfico de órgãos...? Isso é uma rede internacional. Pode ser que um deles faça parte, aí bau-bau...
C – Ora, que absurdo!
M - ... lá se vai meu rim para Índia, para China... um desses países populosos que estão sempre precisando de órgãos... (a mãe geme) Ah mamãe, me desculpe.
C – É certo ficar preocupado, mas você já está passando dos limites. A sua mãe sofrendo, pelo jeito, não é nada para você. Dê a oportunidade para ela ver os netos crescerem. As pessoas vão te acusar sim, te apontar sim, se você negar esse seu rim para mulher que te deu a vida. Os nossos filhos... o exemplo vergonhoso e covarde que você seria pra eles. Não decepcione nossa família.
M – Já que falou nos nossos filhos, eu não queria chegar nesse ponto que eu achava ser só uma intuição, mas estou vendo que é bem aí o problema da minha indecisão.(pausa) Não está vendo a maldição que está para se formar em nossa família?
C – Estou sim, na tua recusa.
M – Pois não! (pausa) Te digo que vou doar meu rim.(pausa) Aí está feito! (pausa) Sou eu quem depois amanhã vou precisar repor a peça perdida e quem vai me socorrer?
C – E quem disse que você vai ter o mesmo problema de sua mãe...?
M – Quem vai me socorrer?
C – Não duvido que um de nossos filhos bem faria de bom grado, mas...
M – Ahá... pois está aí mesmo a continuação da atrocidade a que estaríamos condenados. E as nossas gerações futuras, como se lembrariam de mim? Como o miserável inaugurador dessa maldição. Por favor, meu Deus, não me condene a isso! (a mãe geme)
C – Você realmente se supera, eu não acredito, eu não acredito... olha,(pausa) eu é que não posso conviver com esta vergonha, não... é contra tudo o que eu ensino para os nossos filhos: o amor, a solidariedade... em primeiro lugar... ah, você se decida! Mas saiba que se deixar a sua mãe morrer por omissão de um rim você pode tratar de esquecer de mim e de seus filhos pra sempre.
M – Não acredito que você seria capaz.
C – Nem eu que você seja capaz . (pausa)
M – Está bem, será feito.
C – O quê?
M – O que tem de ser feito.
C – No seu caso, o que tem de ser feito?
M – Ora, salvar uma vida... (a mãe geme) e rápido.
C – Ah, juro que estou muito feliz com a volta de sua sensatez... (abraça-o,beija-o, ele se dirige para a saída) Querido, a sala de cirurgia é do outro lado, estão te esperando.
M – Sim eu sei, mas mereço fumar um cigarro, não é todo dia que se perde um rim.
C – Mas você não fuma.
M – Pois é, tenho tanta coisa pra começar a fazer, vou comprar um cigarro. (sai)

Desfaz-se a cena,a mãe geme.

CÍRCULO DE DRAMATURGIA DO CPT


CÍRCULO DE DRAMATURGIA DO CPT ABRE INSCRIÇÕES PARA DRAMATURGOS.


Informações pelo site: http://www.sescsp.org.br/

CONFIRAM!

CHAPÉU VÉIO E DESCALABRO


Última semana da temporada da peça Descalabro.


Grande atração do dia 29/06 é o retorno definitivo da banda CHAPÉU VÉIO. em apresentação antes da peça, às 19:30 para gravação do dvd e cd da banda. vai ser um show memorável, principalmente pelo registro e pela euforia da banda: rogério guarapiran, renan rovida e mauricio dos santos.


venham conferir!!

Quinta-feira, Abril 03, 2008

ESTRÉIA: "DESCALABRO

(FRATURA EXPOSTA)" PELA TRUPE PAU A PIQUE

dia 10 de maio/2008 (sábado).


Temporada de sábado e domingo às 21:00hs até 29 de junho


ESPAÇO PYNDORAMA (Cia Antropofágica) - http://pyndorama.com/

Rua Turiaçu, 481, Perdizes, São Paulo.
Próximo ao Metrô Barra Funda e ao Parque da Água Branca.

Ingressos: 20R$ - inteira, 10 R$ meia


Sinopse: A peça é o entrelaçamento de fragmentos da vida de cinco personagens distintos. Eles ocupam um espaço (i)limitado que simboliza uma condição de vida atual, alguns em situação manicomial, outros em completo desmazelo como um morador de rua. O traço que mantêm em comum é que tiveram a perda ou dano da consciência razoável, por algum motivo traumático. Trazem a tona um fluxo inconsciente remontando memórias, sentimentos de uma maneira aparentemente caótica e perturbada.

Ficha Técnica


Dramaturgista
Rogério Guarapiran


Direção Geral
Iarlei Rangel


Atores Criadores
Bruna Moscatelli
Bruna Machado
Júlio Melo
Karina Gomes
Rani Guerra


Direção Musical
Carlos Francisco e
Estér Freire


Preparação de Atores e Assistente de Direção
Renan Rovida


Iluminação
Túlio Pezoni


Cenografia e Figurino
Lívia Loureiro


Preparação Vocal
Ester Freire


Preparação Corporal
Júlio Melo e Bruna Machado


Programador Visual
Jozz


Produção
Karina Gomes
Tili Woldby


Assistente de Produção
Bruna Moscatelli






















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Sábado, Agosto 18, 2007

Cena 1




Personagens: F - Fabiana
J - Juca
A - Ademir

Cena: saída do cinema, Fabiana come os piruás do fundo do saquinho de pipoca, espera seu acompanhante que foi ao banheiro. Juca procurando alguém, ao avistar Fabiana vem em direção dela para se encontrarem coincidentalmente.

F –(surpresa ao vê-lo) Juca!

J –(forçado) Nossa, como vai? Tava assistindo filme também?

F – Pois é...

J – E o que achou?

F – Muito bom.

J –(nostálgico) Olha só, acredita? Eu pensei em te convidar pra vir assistir – e você ta aqui. Quando vi o trailler achei que você ia gostar.

F – Você não estava na Argentina?

J – Está acompanhada?

F – Estou, ele... porque da última vez você me disse... está no banheiro (pausa) e você?

J – Sozinho. (silêncio constrangedor, ela estala piruás na boca)

F – Bem que eu desconfiei... tinha uma pessoa rindo nas cenas mais impróprias... a mulher descobre que está com câncer e você se lasca de rir... inconfundível!

J –(rindo de lembrar) Mas é muito foda, será que sou só eu que percebo essas coisas...? Não, hoje tinha um cara que ria também das mesmas cenas...

F –(sacuda) É, eu sei...

J – Não vai dizer que...(pausa, Fabiana estala piruás) O cara tem o mesmo humor que eu?

F – Parece que sim, é a primeira vez que tô saindo com o cara.

J –(indignado) Ele me imitou, você deve ter dito que eu dou risada de coisa macabra.

F – Pior que não. Detesto isso, você sabe. Por isso que não íamos ao cinema, passava um carão do seu lado.

J –(apopléctico) Mas o cara também...

F – Se eu soubesse, tinha ido só comer uma pizza com ele.

J – Vocês vão pra pizzaria agora?

F –(tentando despistar) Vou pra casa!

J – É que estou pensando em comer alguma coisa, poderíamos ir juntos

F – Estou acompanhada, aliás ele está vindo aí. (Ademir aparece nas costas de Juca, quando ele se vira não o vê e se volta para Fabiana ele já está abraçado com ela) Esse é o Juca, Ademir.

J –(cumprimentando) Ex-noivo da Fabiana, quase casamos...

A – Prazer. (pausa, estranha a situação, Fabiana estrala piruás) Vocês marcaram alguma coisa?

F –(apressando-se na explicação) Não. Coincidência, e muita. Pensei que ele estava na Argentina, tinha me dito no e-mail.

J – Menti. Queria que você pensasse que eu...

F – Não. Não pensei nada disso.

J – Eu não sou um fracassado

A –(constrangido) Vou ali pegar um drop’s... (vai saindo)

F –(detendo-o) Não. Já estamos indo.

J – Pra onde vocês vão?

A –(inocente, alegrão) Comer uma pizza no Don Carlone!

J – Que coincidência, estou indo pra lá também.

F – Chega de “coincidências” por essa noite. A gente vai pra casa direto.

J – Eu acompanho vocês, queria visitar nossa cachorrinha... (para Ademir) Morei com ela um ano, eu que sempre cuidei da princesinha... (para Fabiana) tem tratado bem dela?

F –(seca) Ela morreu de câncer. (pausa, revelação estarrecedora para Juca) Não vai dar risada?

J –(profundo) E tem graça? (Ademir tapa a boca pra não rir) (puto pra Ademir) Tá rindo de que seu miserável?

A –(disfarçando) É que lembrei de uma cena do filme. (desata rir)

Quarta-feira, Junho 27, 2007

JÁ-COMEÇA



I

Já-começa! Não sei o que me atacava, aquela coceira infernal contra a qual eu cravava as unhas desesperadamente e friccionava o saco para conquistar um alívio temporário, mas que logo a irritação epidérmica escrotal retornava em ondas que me faziam desejar arrancar a pele do saco para coçar do avesso em carne viva. Pensei que era chato ou algum outro parasita que tinha se hospedado nas minhas bolas. Examinava a região afetada, não compreendia, um vermelhaço inchado, e me sentia terrivelmente constrangido por ter que carregar aquele grotesco e deformado órgão no vão das pernas, tanto que evitei de ir ao médico, procurei resolver a situação discretamente. Descartando as hipóteses parasitológicas, cogitei ser alergia às cuecas de algodão que aliás eu mesmo costumava lavar deficitariamente e mais raro ainda eu as passava porque não tinha ferro de passar, chegando mesmo a usar uma por três a cinco dias consecutivos por preguiça. Notei que meu saco foi roubando um tempo considerável entre meus afazeres, invariavelmente estava com as mãos lá, por debaixo da mesa sem ninguém notar, lógico. Mas foi ficando preocupante, como quando estava em reunião ou tomando um cafezinho com o pessoal, já não conseguia mais disfarçar, chegava ao despudor de comentar com alguns colegas mais chegados, seu Gaspar chegou até me indicar uma pomada “trofodermim”, alguma coisa assim, contra irritação. Aconteceu o que eu não censuro, mas me senti amargurado: meus colegas acintosamente passaram da piadinha leviana de que poderia estar atacado de chato e ameaçando a saúde epidemiológica de todo setor até o complô organizado de me interditarem no serviço. Numa semana em que a minha coceira chegara ao máximo de intensidade - de eu conseguir fazer sangrar o saco de tanta violência no impulso de conter a impertinente irritação - começou circular na rede interna - e não duvido se também não externa – da empresa e-mails que diziam que eu carregava nas bolas do saco uma epidemia tão monstruosa que comparavam ao ebola, e eu seria o portador imune que provocaria um surto deliberado. Foi devastador as conseqüências dessa brincadeira, que chegaram ao despautério de isolar minha mesa com fita amarela e preta de interdição. Humilhado, ainda fui chamado na sala do chefe onde me aguardavam dois enfermeiros devidamente resguardados com roupas e máscara de segurança bacteriológica. Fui conduzido ao departamento médico ao que se seguiram os exames sobre meu saco já em frangalhos. Havia chegado então ao nível mais baixo da degradação humana em que não mais tinha autoridade sobre minhas próprias bolas e não decidiria mais o que fazer com elas.

II
Já-começa! Minhas providências assim que detectado o incômodo sócio-escrotal que a coceira despudorada provoca nas pessoas foram mudar meus hábitos de higiene, tentei ferver as cuecas na leiteira, esquentá-las no forno pra ver se as esterilizava, por fim dei cabo delas numa fogueira de rito satânico no meu apelo macabro de exterminar o mal. Nada adiantou, persistia e piorou. Sem condições não pude comprar novas cuecas e passei ao livre sacolejar pensando que mais arejado as condições melhorariam – engano. Experimentei a pomada “trofodermim” do seu Gaspar, lambuzava-me cobrindo toda região afetada com uma grossa camada cremosa – era fascinante contemplar aquele saco alvaiado e instantaneamente livre da irritação pelo frescor proporcionado em cima das feridas – mas, nada eficiente no combate e contenção do problema na vida social. No agitadiço movimento do dia-a-dia e o calor mormaçante da região tropical faziam a pomada derreter escorrendo pelas virilhas abaixo, irremediavelmente tinha que correr para o banheiro para limpar a gordura da pomada. Tudo que tinha para combater esse mal eram soluções paliativas de alívio imediato: eram a terapia do gelo em casa para conseguir dormir e no serviçoao me certificar que estava só no banheiro deixava a água corrente da pia neutralizar a mais feroz pulsão de coceira que um ser humano já poderia ter sentido. Eu pensava que talvez tivesse sido abduzido numa noite por extraterrestres e sido usado numa experiência em que plantaram em mim essa absurda coceira - experiência mais jocosa do que científica que teria sido perpetrada por uns play-boy’s de marte, ou outra parte do cosmos, que pegaram um da terra pra ser zuado, testado até o limite humano contra seu saco, para ser o Cristo da humanidade. Na minha lógica de sempre acusar terceiros insondáveis eu me sentia melhor quando pensava que pudesse ser só uma expiação terrena para pagar alguns crimes de vida passada, um karma sarcástico e exemplar que estava fora do meu parco entendimento espiritual.



III

Já-começa! Quem passa muito tempo dedicado ao próprio saco vai perdendo a dimensão do real e da medida humana, começa a enxergar tudo como um desafio de como coçar sem ser percebido para poder conseguir causar o mínimo de constrangimento público. Se nas relações de trabalho fui mal sucedido, nas ruas e travessias do cotidiano, entre os citadinos tive razoável sucesso de passar quase desapercebido e até abusar da do meu “prurido escrotal”. Morar sozinho numa quitinete já é uma vantagem de não passar maiores constrangimentos e no meu acanhado esconderijo do mundo eu passei as maiores crises que me impeliam ao desaforo de pedir a Deus que me arrancasse o saco ou trocasse com o dele porque estava sendo muito sacana com seu filho?! O problema começava no elevador, o primeiro contato social do dia, naquele espelhado cubículo o mínimo movimento da mão na direção pubiana seria monstruosamente percebido pelas ninfetas que desciam pra ir a escola e seus pais sisudos ao trabalho. Pegava um ônibus em frente ao meu prédio e descia na porta do serviço, a mesma coisa para voltar e era nessa condução, sempre lotada. Ao subir no busão, na ida já estava sempre em estado de descontrole contido, acumulando o desejo de atacar - desde o elevador ao ponto de ônibus – as mãos no saco. Se a necessidade é mãe da invenção é também prima do distúrbio. Num busão lotado eu tinha o benefício da invisibilidade existencial, oculto, imperceptível pela indiferença dos indivíduos e como sempre portava minha pasta eu a punha no vão das pernas e a deixava fazer o serviço sujo. Mas um dia eu estava compactado, bem colado a uma bela moça que ia sentada, de pé, minhas bolas chegavam a tocar seu ombro e no sacolejar do ônibus ela quase batia a cara nas minhas bolas. Eu estava danado com meu saco, mas não havia jeito de agir sem que causasse transtorno para a passageira. Resolvi, aproveitando os chacoalhões, esmagar meus colhões contra o ombro pontiagudo da moça - não tinha mais dores convencionais no saco quando se chocava sem grande violência contra objetos sólidos, ele andava amortecido de tanto que eu os coçava. E naqueles disfarçados choques que fui provocando, meus testículos contra seu ombro-tríceps-e-até-omoplata foi me apaziguando a irritação ao nível de suportável. O que era um desafio tornou-se prática. Passei a sempre recostar na mesma moça, ia empurrando os usuários do circular até chegar ao lado dela e havia encontrado acolhida silenciosa, não ligava mesmo que eu depositasse minhas bolas no seu ombro e discretamente usasse-a para amansar minha inquietação. Era uma espécie de pacto, ou seria um flerte? Ela nunca me olhou nos olhos. E não abusava além do gentil serviço a que me prestava. Essa mulher misteriosa passou habitar meus sonhos, dia que não sonhava com ela – batata! – acordava no meio da noite com colossal coceira. Achei que um dia devia agradecê-la pela humilde acolhida que dava a um saco alheio. Ela descia um ponto antes do meu, desci junto, mas ao perceber que vinha atrás dela saiu em disparada que fiquei sem entender nada, tinha extrapolado o limite que me impusera subjetivamente, era uma moça séria – e a amei por isso, silenciosamente. Fiquei uns dias sem aproximar minhas bolas nela, com vergonha, e partia em cima de outras que à primeira tentativa de amassar o saco no ombro delas seguiam-se atitudes extremamente repulsivas que tive medo de promover algum escândalo por uma mais histérica que por azar acabasse despejando meu saco esculhambado. Voltei na moça bela de espádua esquelética, aproximei-me com cuidado e ela impassível – minha querida! Aconteceu um dia então que me curaram, não tive escolha, meu saco passou na mão dos melhores especialistas, fiz tratamento, fiquei afastado em repouso e voltei ao trabalho e a vida normal. Curado, com a sensibilidade na região escrotal regularizada, parecia um saquinho de bebê, lindo, róseo e sadio fui tentar abrigo em minha doce senhora da lotação ao que recebi um chega pra lá que me senti desnorteado, e ainda pegou e desceu do imediatamente, fora do seu ponto. Deve ter sentido a falta de sinceridade das minhas bolas reabilitadas, ou mais provavelmente devia estar comprometida – era uma moça séria.

Terça-feira, Maio 15, 2007

A Hora e a vez do SAMBARIA



SAMBARIA

Evento: Show de Estréia

Local: COOTEPI – Pinda

End.: Av. Nossa Senhora do Bom Sucesso, 2750 - Parque das Nações – Pindamonhangaba/SP

Entrada da cidade, saindo da Rodovia Presidente Dutra.

Dia: 10/06 (domingo); Horário: 19hs

INGRESSOS: R$ 5 reais (preço único)

Tels.: (12) 3645-9090 / 9746-7561 -ASSOCIAÇÃO CULTURAL COOTEPI

(12) 91821620 (Rogério) / 81124277 (Bruno) - SAMBARIA

O show

Marca o início das atividades do grupo de samba-choro SAMBARIA nos palcos. Será apresentado um trabalho que consiste em valorizar os gêneros mais genuinamente brasileiros, reunindo o temos de melhor, em re-interpretações, de sambas, bossas, chorinhos, serestas e MPB. Compositores como Noel Rosa, Cartola, Lupicínio Rodrigues, Paulinho da Viola e outros, fazem parte do nosso repertório passando por suas canções imortalizadas no universo popular mesclado com músicas menos conhecidas ou que tiveram a mesma difusão cultural, mas que procuramos fazer um resgate e revalorização. O SAMBARIA nasce sob o signo forte da coletividade e parceria, por isso os arranjos são de criação coletiva e convidamos um amigo-músico muito especial para abrilhantar nossa estréia: o compositor e guitarrista Paulo Henrique Raposo de Pindamonhangaba.

O SAMBARIA

Nascido numa mesa de bar, a proposta inicial era reunir jovens músicos interessados em aprender tocar samba, aprender sobre a riquíssima história cultural do samba para manifestar e divulgar esse gênero de tão extensa tradição que em nosso meio cultural: Taubaté e Vale do Paraíba sentíamos carente de uma proposta que tivesse como objetivo um trabalho voltado exclusivamente para música brasileira, garimpando o que de melhor a nossa música popular possui. O fino do Samba tradição, do Choro, da Bossa e MPB. Diante de um objetivo de pretensão considerável, precisávamos acelerar o processo de experiência com esses estilos, foi aí que experientes músicos compraram nossa idéia, muito interessados e juntamos o espírito aberto com a sabedoria para dar início ao Sambaria que é um grande encontro para celebrar a música brasileira.

Ficha Técnica:

Voz: Sara Cobra

Violão de 7:Humberto Santos
Cavaquinho: Toninho
Flauta e sax: Bruno Mobile
Pandeiro e Percussão:Felipe (Ifi)
Bandolim: Rogério Guarapiran

Participações Especiais:

Paulo Henrique – Guitarrista